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História
O Samba no Brasil por Tia Ciata
Tia Ciata

Crédito: UOL
Dentre todas as versões que contam as histórias do nascimento do Samba no Brasil, existe uma unanimidade: Hilária Batista de Almeida, com seus três apelidos: Tia Ciata, Tia Asseata ou ainda Tia Assiata. Nascida livre em 23 de abril de 1854, em Salvador,  foi juntamente com outras tias baiana a principal responsável pela desenvolvimento e consolidação do samba no Brasil. Foi no quintal da sua casa a fonte de inspiração do primeiro samba gravado no Brasil, em 1916  - "Pelo Telefone  de Donga e  Mauro de Almeida.
 
Baiana de Salvador. Cozinheira. Mãe de santo. Partideira e animadora cultural. Chegou ao Rio de Janeiro em 1876, aos 22 anos, indo residir inicialmente na Rua General Câmara mudou-se para a Rua da Alfândega e depois para Rua Visconde de Itaúna (próxima à Praça Onze), à época local conhecido como Pequena África, por conta da forte presença de negros baianos no local. Por ser uma mulher dinâmica e empreendedora, Ciata logo se destacou entre as baianas introdutoras do Samba no Rio de Janeiro, enquanto tirava seu sustento da cozinha típica baiana, vendendo quitutes em seu tabuleiro, dali passou a promover sessões de samba em sua casa.
 
Mãe de Santo afamada, Tia Ciata realizava rituais de culto aos orixás africanos. Cada vez mais popular, Tia Ciata recebia em sua casa um grande número de políticos, boêmios, músicos e batuqueiros para saborear pratos típicos, principalmente a moqueca. Seguindo uma natural inclinação ao samba, fundou (juntamente com tia Bebiana, mestre Germano e outros) o primeiro Rancho de Samba do Brasil - o grupo Rosa Branca, que percorria as ruas do Velho Rio com suas alegres pastoras (isso no fim do século XIX e princípio do século XX). O Rosa Branca contava com a presença da tia Bambina, Hilário (Lalau de Ouro), João da Mata, Minan, Didi da Gracinda, João Câncio, Carminha, João da Baiana, Sinhô, Donga, Heitor dos Prazeres, Pixinguinha e outros.
 
Os ranchos eram cordões mais completos, pois aparecia o elemento feminino. O conjunto instrumental era acrescido por instrumento de cordas, violões e cavaquinhos e de sopro, flautas e clarinetas. Tinha também o coro, para entoar a marcha do rancho. Havia um porta-estandarte e três mestres, um de harmonia para a orquestra, outro de canto para o coro e um terceiro chamado de sala, para se ocupar com a parte coreográfica. Tia Ciata e Tia Bebiana eram tão respeitadas que todos os ranchos que saiam no carnaval tinham a obrigação de cumprimentá-las. O Rancho que não cumprisse a formalidade era considerado como não tendo saído no Carnaval.
 
Tia Ciata conheceu João Baptista da Silva, também da Bahia e bem situado na vida, havendo estudado até o 2º ano de medicina na Bahia. Tiveram uma relação longa, definitiva e fundamental na sua própria afirmação no meio negro. Com João Baptista teve 15 filhos, entre os quais Glicéria , Sinhá Velha, Fatumã (porta-bandeira do Rosa Branca, Celeste  e o caçula João Paulo que, a exemplo do pai, também estudaria medicina . Entre os netos, Bucy Moreira (compositor e batuqueiro) Ministrinho da Cuíca, Dino e Santa.
 
Naquela época, o samba era proibido e para que houvesse as festas, era necessário pedir uma licença na chefatura de polícia. A polícia vigiava as reuniões dos negros (tanto o samba como o candomblé). Porém, tia Ciata tinha o aval da polícia através do marido funcionário público de alto coturno. Foi neste ambiente que Pixinguinha, Donga, João da Baiana e Heitor dos Prazeres, ainda crianças, começaram nas tradições musicais baianas.
 
Passista de pés leves, Tia Ciata dançava nas festas. Além de vender seus quitutes, começou a aumentar sua renda familiar alugando roupas de baianas a teatros e também para o Carnaval. Depois que tia Ciata entrou no comércio de roupas, tornou-se folclórico assistir a um pagode na casa das baianas. Tia Ciata já tinha seu prestigio no meio negro e sabia usar o fato de ser viúva de funcionário público. Seu marido morrera em 1910.
 
Sempre vestida de baiana e estampando a sua autoridade, seu bom humor e sua solidariedade, ficava cada vez mais conhecida, mantendo relações com pessoas de toda a cidade, chegando ao ponto de ter vários soldados do Coronel Costa garantindo suas festas. Nesse período, os brancos das elites não eram vistos como inimigos e nem claramente responsabilizados pela escravatura. O negro se opunha ao branco pela diversidade cultural. Os baianos, a exemplo do que se faz até hoje em Salvador, saíam no Carnaval em blocos, cordões e rodas de batucadas. Como naquela época não havia rádio, compositores lançavam sua músicas nas festas de Largo.
 
Com o tempo, os ranchos ganharam as praças da Zona Sul do Rio de Janeiro, principalmente Botafogo, Gávea, Laranjeiras e Catete. O Rancho Rosa Branca foi criado em 1907, tendo à sua frente Hilário, Tia Ciata, Tia Bibiana e Mestre Germano. Como eram pioneiros tinham, inclusive, autoridade reconhecida pelas demais agremiações para inspecionar os trabalhos de todos os ranchos, comunicando pela imprensa o cumprimento das exigências para que os ranchos desfilassem. Tia Ciata e Hilário tinham uma estreita ligação. Nasceram no mesmo dia e se tratavam nas rodas de sambas como "Xará", já que tia Ciata se chamava Hilária. Hilário baiano foi para o Rio de Janeiro em 1872, quatro anos antes de tia Ciata. E por isso já estava mais acostumado com a cidade.  Eram líderes natos entre os negros da época. Ciata com espírito agregador, familiar e religioso Hilário ou Lalau de Ouro era sensual, feiticeiro e polêmico.
 
Tia Ciata ficou viúva em 1910 e, algum tempo depois, morre Tia Bibiana. Tia Ciata muda-se para a Visconde de Itaúna, rua em que passava o carnaval para a Praça Onze. Veio a falecer aos 70 anos de idade. Em 2004, teve os 150 anos de seu nascimento comemorados no Centro Cultural José Bonifácio, no bairro carioca da Gamboa, no show "Afro memória" com arranjos, direção e roteiro do cantor e compositor Mombaça e participação da atriz Neusa Borges vivendo o papel de Tia Ciata. Na Bahia, a sua memória muito pouco é lembrada.
 
Caso você se interesse ainda mais em conhecer a história do Samba, uma excelente fonte de pesquisa é o livro: " Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro", de autoria de Roberto Moura, editado pela Funarte em 1983. Você pode baixar o livro clicando AQUI. Outra excelente fonte de referência é o " Almanaque do Samba", escrito por André Diniz, disponível em nossa biblioteca para empréstimo e que também pode ser acessado clicando AQUI.
 
Espero que com as informações acima, você possa se apaixonar mais ainda pelo mais brasileiro dos ritmos !
 
Forte abraço,
 
Wilson  José de Freitas Santos
Presidente do Clube do Samba da Bahia
 


Comentários
# 1  -  zina - zina12@yahoo.com.br   7/10/2009  -  Nota: 5
poe sobre a historia do samba de raiz

# 2  -  ÁLIX SEABRA - carlosprodutor@yahoo.com.br   17/11/2009  -  Nota: 10
SOU AUTODIDATA EM DESENHO E COM 13 ANOS, EM 1973 FUI TRABALHAR NO BARRACÃO DE ESCOLA DE SAMBA, COM JOÃOZINHO TRINTA. EM 1974 EU COM 14 ANOS FUI CAMPEÃO PELO SALGUEIRO EM 1976 COM 16 ANOS CAMPEÃO PELA BEIJA-FLOR. APRENDI A SAMBAR NA APOTEOSE COMO PASSISTA NA ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA E CHEGUEI A VÁRIOS CARGOS NA ESCOLA. INCLUSIVE DIRETOR DE CULTURA. E PELOS CONHECIMENTOS DA HISTÓRIA DO SAMBA; OS RANCHOS AO DESFILAREM NA PRAÇA ONZE, UMA MENINA LEVAVA UM ESTANDARTE REPRESENTANDO O RANCHO E POR CAUSA DE BÊBADOS À TOCAREM, COLOCARAM CAPOEIRISTAS PARA AFASTAR COMO SEGURANÇAS. HOJE NAS GRANDES ESCOLAS DE SAMBA, SÃO CHAMADOS DE PORTABANDEIRA E MESTRESALA, A BANDEIRA REPRESENTA A SUA ESCOLA E O MESTRESALA; O LEQUE É A NAVALHA, SEUS PASSOS REPRESENTAM A GINGA DA CAPOEIRA E A DANÇA DO CANDOBLÉ. (como diz o malandro - QUE MORRER VAGABUNDO). ATENCIOSAMENTE; ÁLIX SEABRA

# 3  -  Carlos Scorpião - kasil20@hotmail.com   26/11/2009  -  Nota: 9
É de fundamental importância que nós pesquisadores e filhos do Semba, façamos com que pelo menos daqui por diante tenham os mais jovens, conhecimento destas personalidades que tanto nos honram, quanto reverenciar suas memórias, de uma cultura tão presente quão originária dos ritmos mais atuais, para que não parecça que esses ritmos não têm origem, fundadores e colaboradores do povo, da gente da nossa terra da Bahia, o samba pode ter se consolidado no Rio ao ser gravado, mas por baianos compostos, levados e dinamizados, é baiano por raiz, do Semba, do Lundú, do Jongo, dos rituais religiosos, não existe nessa origem limite entre o que chamam de profano e religioso, para eles e nós o limite é tênue e forte!

# 4  -  Lourival Filho - loury2@gmail.com   2/12/2009  -  Nota: 10
Parabéns pela página!
Gostaria de ver publicado, aqui, meu poema em homenagem ao Samba.
Ei-lo:

Do Semba ao Samba

Como areia,
Espalhas teus grãos,
Filhos negros, brancos e mestiços,
Que habitam terreiros, morros, praças, praias, rios e mangues.
Teus sons, tuas nuances ecoam, miudinho, brincando de roda
Em enredos de mil (re)concavidades de mim: plânctons afins e sem fim.
Santo Amaro, Saubara, Cachoeira, Salvador
São tuas crias, saídas do teu ventre afro-brasileiro
A derramar poesia em sorrisos de entrega divina à vida.
Mas tu, que embalaras meus irmãos nas noites de dor e suor dos negreiros,
Pulsas, hoje, como marcas identitárias, representações de todos nós.
E, assim como a tua umbigada,
Resisto, ancorado em ti,
Em tuas Mães-Ciatas, Mães-Clementinas,
Mães-Nicinhas, Mães-Dalvas,... Mães-d’água
Que vivem a dizer:
“África, ventre fértil do mundo!”
Lourival Filho


# 5  -  vavá da villah - vavadavillah@hotmail.com   27/1/2010  -  Nota: 10
uma das minhas músicas(samba das tias) o samba nasceu na bahia daqui foi levado,por negras baianas no rio ele foi semeado. foi tia ciata que o samba lá recomeçou ôÔô ,foi discriminado depois o branco aceitou! pelo telefone primeiro samba que se gravou,de donga e mauro de almeida que vieram a compor,e hoje o brasil inteiro tem roda de samba, sou .................. que os bambas do samba já sabem quem sou! (refrão) eh bahia das baianas! das tias ciata e veridiana! eh bahia das baianas!tias mônica,amélia e presciliana. osamba!

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