Zé Katimba será homenageado com a Medalha Pedro Ernesto, no próximo dia 15, às 19h, na Lapa
Único fundador vivo do G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, compositor receberá honraria por sua contribuição com a cultura popular brasileira
Um dos compositores mais respeitados e consagrados do samba carioca e figura das mais importantes da história da Imperatriz Leopoldinense, José Inácio dos Santos ou, simplesmente, Zé Katimba, será homenageado, no próximo dia 15 de dezembro, às 19h, com a Medalha Pedro Ernesto. O local da cerimônia de entrega não poderia ser mais adequado: o Botequim Beco do Rato, uma das casas da Lapa mais frequentadas e apreciadas por bambas e admiradores de uma boa roda samba. A ocasião servirá, também, para apresentação do livro “Zé Katimba – Que grande destino reservaram pra você!”, biografia escrita pelo jornalista Fernando Paulino. Além disso, a tradicional roda de samba de terça-feira, no beco, promete animar o povo e receber alguns convidados ilustres, como o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense. A entrada é gratuita.
A entrega da Medalha de Mérito Pedro Ernesto, que partiu da iniciativa de Fernando Paulino e do vereador Eliomar Coelho, é uma honraria concebida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro àqueles personagens que se destacam na sociedade brasileira. A homenagem vem fazer o devido reconhecimento ao sambista Zé Katimba por todo seu empenho na valorização da cultura popular, seja através do seu trabalho desenvolvido na Imperatriz Leopoldinense há mais de 50 anos ou na composição de clássicos atemporais do samba.
Compositor nato e muito respeitado no meio, Katimba teve, na década de 70, o seu momento de maior evidência entre o público em geral, quando inspirou a criação do personagem “Katimba” na novela “Bandeira Dois”, escrita por Dias Gomes para Rede Globo. O ator que interpretou e contou um pouco da história de Zé Katimba? Ninguém menos que o saudoso e inesquecível Grande Otelo. Teve, também, seu samba “Martim Cererê” como tema principal da novela e gravado pela Som Livre, no álbum “Bandeira Dois”, juntamente com outras duas músicas dele: “Roda da vida”, em parceria com Jorge Luiz e “Cansado de tanto sofrer”, que compôs com Zé Carlos.
Grandes parcerias e composições, que se tornaram clássicos do genuíno samba carioca, fazem parte da obra de Zé Katimba. Entre seus “compadres” que mais deram liga estão músicos do naipe de Martinho da Vila, Alceu Maia e João Nogueira, com quem escreveu uma das letras mais bonitas de evocação ao samba: “Sorria, meu bloco vem, vem descendo a cidade/ Vai haver carnaval de verdade/ O samba não se acabou/ Sorria, o samba mata a tristeza da gente/ Quero ver o meu povo contente/ Do jeito que o rei mandou”. Recentemente, Katimba compôs, em parceria com Martinho da Vila, o samba “Na minha veia”, que serviu de inspiração para dar nome ao novo álbum da cantora Simone, “Na veia”, lançado em setembro deste ano. Outros frutos destas parceiras são: “O teu cabelo não nega - Só dá Lalá” (Zé Katimba/ Gibi/ Serjão); “Do jeito que o rei mandou” (Zé Katimba/ João Nogueira); “Tá delícia, tá gostoso” (Zé Katimba/ Alceu Maia); “Minha e tua” (Zé Katimba/ Martinho da Vila/ Alceu Maia); “Recriando a criação” (Zé Katimba/ Martinho da Vila); “Bandeira da fé” (Zé Katimba/ Martinho da Vila); “Me faz um dengo” (Zé Katimba/ Martinho da Vila); “Café com leite” (Zé Katimba/ Martinho da Vila); “Festa pros olhos” (Zé Katimba/ Martinho da Vila), entre outras canções.
Paraibano da cidade de Guarabira, Zé Katimba, 77 anos, filho de Josefa e João Inácio (tocador de viola, escritor de poesia de cordel e campeão de desafios), chegou ao Rio de Janeiro com dez anos de idade. Residiu a maior parte da sua vida no Morro do Adeus, no bairro de Ramos, subúrbio da Leopoldina. Lá criou suas raízes, conheceu o samba, resolveu fazer parte dele e encarou a empreitada de ajudar a fundar, em 1959, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, sendo uma das figuras mais importantes da cinqüentenária história da agremiação e do samba brasileiro como um todo.
“Zé Katimba – Que grande destino reservaram pra você!”
“A idéia inicial era escrever um livro sobre causos do samba. Ali, nas noites de Niterói, encontrei Katimba. Ele começou a me contar os causos dele. Quando vi, já passava das três da madrugada, eu estava cheio de anotações e decidi: o livro dos causos fica pra depois. Eu vou escrever um livro sobre você! Assim, surgiu, numa mesa do restaurante Novo Ponto, em Icaraí, a idéia de “Zé Katimba – Que grande destino reservaram pra você!”
Começamos a produzir o livro em julho de 2008, correndo atrás de depoimentos. Eu e o Katimba nos encontramos na Rádio Nacional com o Rubem Confete, que nos deu a novidade: a Imperatriz Leopoldinense acabara de escolher o enredo para o Carnaval 2009, contando o seu cinquentenário de existência, e Katimba seria um dos homenageados. Outra feliz coincidência.” (Fernando Paulino – jornalista e membro do Conselho Municipal de Cultural de Niterói)
Um beco que faz parte da cultura brasileira
Localizado entre as ruas Joaquim Silva e Moraes e Vale, esse lado da Lapa que andou esquecido pela administração pública, produtores culturais e artistas por décadas, também foi, nos tempos de outrora, cenário, palco e lar de músicos, poetas, escritores e artistas plásticos que são personagens fundamentais na história da cultura brasileira, como: Chiquinha Gonzaga, Madame Satã, Portinari, Manuel Bandeira, Sinhô, Noel Rosa, entre outros.
Neste mesmo beco funciona, desde 2005, o “Botequim Beco do Rato”. Sob o slogan “Resistência Cultural”, o bar é um dos responsáveis pelo processo de revitalização daquela região histórica da cidade e, acima de tudo, pelo incentivo ao movimento de resgate do samba de raiz. Não menos bem frequentado do que nos tempos idos da velha Lapa boêmia e malandra, o “Beco do Rato” abriga excelentes rodas de samba e chorinho durante a semana, por onde já passaram grandes bambas como Toninho Geraes, Luiz Melodia, Wilson Moreira, Moacir Luz, Tia Surica, Beth Carvalho, Birani (Fundo de Quintal), Wanderley Monteiro, Iracema Monteiro, Zé Luiz do Império, Paulão Sete Cordas, Walter Alfaiate, entre outros já consagrados e anônimos.
Serviço: Entrega da Medalha Pedro Ernesto ao sambista Zé Katimba
Data: terça-feira, 15 de dezembro de 2009, a partir de 19h.
Local: Botequim Beco do Rato – Rua Joaquim Silva, 11, Lapa, Rio de Janeiro.
Tel.: (21) 2508-5600.
Entrada gratuita.
Classificação livre.
Mais informações: (21) 8824-9641 / (21) 8710-1849 / (21) 7694-4642 |